quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ser cabeludo ou não ser, eis a questão...

Ontem a noite a melhor amiga de minha ex-namorada foi buscar uns presentes que eu havia comprado para elas. Feliz mostrei minhas novas aquisições, motivadas pelo adeus que levei após anos de namoro.
Ela, que sempre quiz se tornar uma psicóloga mas não conseguiu passar no vestibular, tentou me dar "conselhos", uma espécie de consulta grátis. Conversou comigo sondando, perguntava se eu estava bem e falava para eu procurar novos relacionamentos, sem me prender a nenhum.

Mas o que ela queria mesmo era me falar para cortar o cabelo...

Falou que eu deveria melhorar meu visual, cortar o cabelo, comprar um perfume, cortar minhas unhas com mais frequencia e trocar minha roupa e meu jeito de vestir. Falou até que era legal eu parar de usar sandálhas!
Por fim ela disse a célebre frase:

"Faça isso e procure alguém que goste do jeito que você é!"

Esta frase me causou uma grande desilusão. Como poderia mudar tanto e agradar alguém que gosta do jeito que sou? Por que as mulheres que não gostam de cabeludos dizem que as únicas mulheres que gostam de homens cabeludos são hippes? Porque quando eu peço um exemplo de homem belo, elas me enumeram impreterivelmente um homem de cabelos longos, mesmo que elas afirmem que não gostam de cabeludos?

Fiquei muito triste; lembrei da minha ex-namorada ao enumerar minhas falhas na derradeira noite que me deixou, na qual ela somente lembrava do meu cabelo; lembrei de uma moça que conversei no Kalaf, no primeiro fim de semana solteiro, que de cinco coisas que ela me falava, quatro era: "Corta este cabelo".

Hoje pensei em muitas coisas. Primeiramente, vou comprar um perfume. Tomara que ele não me cause alergia, pois nunca me acostumei a este adereço. Tenho medo de esagerar na dose. Entrei no orkut e vi comunidades de perfumes masculinos.

Também visitei comunidades pró-cabeludos, procurando ver se estou a agradar meu público alvo. Se as pessoas que me atraem for as mesma que eu atraio com minhas longas madeichas, continuarei como estou e negarei as recomendações que me soam ao ouvido.
Se não agrado aquelas que me agradam, cortarei o cabelo, tentarei gostar de mim como não sou, para que alguém me ame do jeito que não escolhi ser.
Triste.

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